Análise às equipas portuguesas, Sporting CP - Tavira



O Sporting CP - Tavira teve uma temporada de 2016 algo aquém do esperado, provocada em parte pelo planeamento apressado da temporada. Este ano com mais experiência, a estrutura cresceu e foram feitas contratações muito promissoras para um ano que se espera que a equipa finalmente dê luta à W52 - FC Porto - Mestre da Cor, acentuando a rivalidade!


Como foi 2016?

2 vitórias

Rinaldo Nocentini, Vencedor da Classificação Geral do Troféu Joaquim Agostinho

Jesús Ezquerra, Vitória na etapa 8 da Volta a Portugal

 

O primeiro ano de parceria entre o Sporting Clube de Portugal e o Clube de Ciclismo de Tavira não foi o mais feliz, apesar de aqui e ali terem havido alguns motivos para a equipa de Vidal Fitas festejar. A vitória na geral do Troféu Joaquim Agostinho e na etapa 8 da Volta a Portugal acabam por se destacar de outras classificações secundárias (a camisola da montanha de David de la Fuente no GP Liberty Seguros, de Mario Gonzalez na Clássica de Amarante, de Valter Pereira no Troféu Azeméis e a classificação dos sprints e respectiva camisola para Shaun-Nick Bester na Volta a Albergaria) vencidas pelos verde e brancos, mas não apagam a razoável temporada de 2016. O destaque foi, como se esperava, Rinaldo Nocentini, embora os espanhóis Jesús Ezquerra e David de la Fuente também tenham feito parte dos resultados mais importantes dos leões.

 

Principais contratações:

Depois da época transacta estar uns furos abaixo do esperado, a equipa de raízes algarvias soube mexer-se bem na transição para este ano, apresentando quatro reforços de inegável qualidade que certamente darão mais alegrias a Vidal Fitas. A controversa saída de Hugo Sabido do plantel foi uma das baixas para os sportinguistas, que também viram David De La Fuente seguir para o rival algarvio, o Louletano.

Em primeiro, como nova figura de proa, surge Joni Brandão. O português teve um ano agridoce, não conseguindo conquistar – apesar de muito tentar - a Volta a Portugal, o seu principal objectivo de há uns anos para cá, mas a vitória no GP das Beiras e Serra da Estrela e a excelente exibição na Volta a Castela e Leão, onde fechou em terceiro lugar, só superado por Alejandro Valverde e Pello Bilbao, deixaram escancaradas as portas para um voo para o estrangeiro. Apesar de algumas propostas, confirmadas pelo próprio Joni, o ciclista natural de Travanca, Santa Maria da Feira, acabou por aterrar no Algarve com as aspirações inabaladas: o objectivo é vencer a Volta a Portugal.

Outra das transferências mais faladas foi a saída de Alejandro Marque da LA Alumínios com destino à mais antiga formação de ciclismo, o CCT. Alexandre Marques, como lhe tratam carinhosamente os locais, vem descendo o seu nível desde que a polémica em torno da sua vitória na Volta a Portugal de 2013 lhe custou um ano sem competir ao mais alto nível, não obstante de continuar a ser um dos principais ciclistas a actuar em Portugal. Basta recuar a Agosto do ano passado onde, em plena Volta a Portugal, Marque esteve perto de vencer na chegada a Setúbal, depois de ultrapassada a Serra da Arrábida. Terminaria nos 15 primeiros da classificação geral, curiosamente sem nenhum elemento do Sporting-Tavira à sua frente. Tendo em conta que terá Joni Brandão e Rinaldo Nocentini à sua frente na hierarquia da equipa, o espanhol afigura-se como um gregário de luxo para a renovada formação tavirense.

Também do Norte do país chega Frederico Figueiredo. O jovem trepador esteve quase sempre junto dos melhores na Volta a Portugal de 2016, perdendo apenas o comboio do top-10 no contra-relógio final (aspecto que terá de melhorar), e foi uma das peças importantes na manobra boavisteira, que acabou por colocar o trofense Daniel Silva no pódio final da prova rainha do calendário nacional. Vem também, de há uns anos para cá, dando cartas em corridas internacionais, tendo estado em bom plano nas provas espanholas (principalmente no GP Miguel Indurain e na Volta a Castela e Leão) e na já sua conhecida Route du Sud, em França, onde teve a oportunidade de correr ao lado de Alberto Contador e Nairo Quintana.

Um dos regressos mais esperados, a par do de Sérgio Paulinho, é o de Fábio Silvestre. O ciclista natural do Sobral de Monte Agraço, que nos últimos cinco anos correu no estrangeiro, inclusivamente no World Tour, onde não se conseguiu afirmar, procura relançar a sua carreira no seu país e ao serviço do Sporting-Tavira. Ainda com muitos anos para dar ao ciclismo, já que completou recentemente (no passado dia 25) as 27 primaveras, deverá trazer na bagagem de regresso uma experiência que lhe será muito útil para vingar em Portugal, até porque deverá ser a principal arma da equipa comandada por Vidal Fitas. Apesar de não apresentar grandes resultados desde 2013, quando venceu a Le Triptyque des Monts e Châteauxe 3 etapas noutras competições, será decerto um dos reforços mais mediáticos do pelotão nacional. Este ano vai, curiosamente, reencontrar Jesús Ezquerra e Jóni Brandão como colegas de equipa, recordando os anos de 2012 e 2013 quando ele e o espanhol pertenciam à Leopard e os anos de formação do Fábio, no Sport Ciclismo São João de Ver, onde correu ao lado de Jóni. 

 

O que esperar de 2017?

Em 2017 pode esperar-se um Sporting-Tavira muito mais forte, em todas as frentes. A equipa terá legítimas aspirações a vencer finais ao sprint, chegadas em alto e até as famosas clássicas acidentadas, tal é a profundidade do plantel para o ano que agora se inicia.

A recorrente aposta na Volta a Portugal, apanágio de todas as formações nacionais, levou a equipa a reforçar-se para essa competição, onde Joni, Fred e Marque serão os principais alicerces (não descuidar, no entanto, Rinaldo Nocentini, que na sua primeira participação na Grandíssima terminou perto do top-20). A rivalidade clubística mantida com o Futebol Clube do Porto pode agora ganhar outros contornos, já que deverão estar bastante mais equiparadas do que no ano passado.

O regresso a solo nacional de Fábio Silvestre deverá ver um sprinter em busca de relançar a carreira e lutar pelas corridas com finais rápidos não muito selectivos, onde também deverá contar a presença de Shaun-Nick Bester. Quando o terreno começar a endurecer (mas não demais), Nocentini e Jesús Ezquerra terão uma palavra a dizer, como já mostraram ser capazes em 2016, tratando-se dos responsáveis pelas apenas duas vitórias conseguidas pelo clube de Alvalade. Na alta montanha, Jóni Brandão, Frederico Figueiredo e até o próprio David Livramento serão os homens em destaque para o que se espera ser um ano de leão.

 



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