Sican Escreveu:
e saber como estar numa empresa, mas os meus dias lá eram exatamente iguais. Fazia sempre a mesma coisa de manhã até ao final da tarde e sentia que a maioria das pessoas que lá estavam não retiravam prazer do trabalho que tinham.
Ou sou eu que sou pessimista, ou lamento informar que vais encontrar isso na maioria dos sítios para onde vás trabalhar. Sejas de que área fores, tenhas o background que tiveres. Acho que é o grande choque que todas as gerações têm, mas a nossa em particular. Pergunto-me a mim mesmo como é que a minha mãe aguenta 25+ anos de trabalho num sítio que não é saudável para ela (tanto em termos mentais como físicos), e malta da nossa idade ao fim de meses está aborrecida de morte e só pensa em ir para outro lado. Inclusivamente pessoas que estão super confortáveis e em excelentes condições, mas penso que isso é a natureza humana, de querer sempre mais.
Em relação a mim, 2016 foi um ano que trouxe de volta alguma estabilidade inesperada a nível familiar, que tinha sido perdida há alguns anos atrás. Consegui, numa oportunidade inesperada, ajudar os meus pais a comprar uma casa (dado que só por eles não tinham condições para tal), o que curiosamente até veio diminuir as despesas da família (fora o facto da casa ser um valente upgrade face às condições anteriores). Se me dissessem no início do ano que eu iria contrair um empréstimo antes dos 25 eu iria rir-me dessa pessoa, mas acabou por acontecer, e para já, revela-se uma boa decisão. Óbvio que levei um rombo inesperado nas minhas finanças pessoais mas já estou a recuperar isso.
A segunda parte do ano foi essencialmente lutar um bocado contra stress acumulado no trabalho (continuo num projecto em que não se vê a luz ao fundo do túnel à vista, e onde há uma equipa excelente que está completamente saturada de lidar com uma série de situações menos boas por parte do cliente para o qual o projecto está a ser desenvolvido). Ponderei sair, fiz até algumas entrevistas, tive algumas ofertas mas não era necessariamente o que eu queria. No entanto, isto foi o suficiente para ganhar alguma confiança e não me 'vender' abaixo do que valho, e bater o pé perante algumas coisas menos boas no meu trabalho actual.
Um ponto que há a salientar no meio disto é que, quando vim para aqui, não vinha com o objectivo de ficar aqui assim tanto tempo. 2-3 anos, não mais do que isso. O meu objectivo inicial era ir para Londres e na altura acabei por não ir meramente por uma questão de aqui saber com quem ia trabalhar e ter pessoal conhecido que me ajudasse nessa adaptação. Se eu tivesse 30 anos, se eu quisesse um sítio onde quisesse viver sem me chatear, ficaria aqui. Mas não tenho, e acho que chegou a altura de pôr fim a esses 2-3 anos em breve e mandar-me para o outro lado do Canal.
Isto coincidiu por sinal com a expansão da branch londrina da empresa onde trabalho (que já existia quando entrei, mas que nessa altura não era mais do que dois gajos a trabalhar da sua própria casa para projectos noutro lado) e perante a saturação que referi ali em cima, propuseram-me que me mudasse para lá, sendo que tenho tudo acertado para ir para lá daqui a 2-3 meses e este início de 2017 vai ser de planeamento face a esse acontecimento. 2017 promete ser um ano de mudança. Não sei se será boa ou má (isto é o meu pessimismo a falar), e de certeza não será fácil, mas espero que corra tudo pelo melhor.
Bem, passando ao que interessa... Que 2017 vos traga tudo o que querem, e muito mais. Bom ano a todos!
PS - Miguel, nem precisas de estar arrependido. Qualquer uma das duas instituições te dará uma formação excelente, e o resto vai partir de ti. Quanto mais te deres a conhecer pessoas e a estudares cenas fora das aulas, mais sucesso terás no futuro. Em relação aos problemas financeiros, sendo que também passei por isso...por muito pouco que os rendimentos dos teus pais sejam, a bolsa dificilmente vai ser mais do que apenas o valor para pagar as propinas. Os rendimentos dos meus pais sempre foram baixos e no ano em que recebi mais (no primeiro), recebi tipo 100€ além do valor das propinas anuais. E em todos os outros anos foi só o valor das propinas. Pela minha experiência só pessoas com muita aldrabice no IRS é que têm bolsas estupidamente altas (o que é tremendamente injusto para com quem tem realmente dificuldades financeiras).
Soldier on. Infelizmente não há grande solução.
Já agora, se mais tarde no curso eventualmente te deparares com uma decisão semelhante à que eu tive de fazer no início do mestrado (ir de Erasmus e gastar o pouco dinheiro que tinha ou não ir e guardá-lo para o caso de precisar), não penses sequer duas vezes em ir. Apenas vai. Eu fiquei, e pensei durante muito tempo que tinha sido a decisão certa, mas se calhar perdi excelentes oportunidades pelo facto de não ter ido.