Filipee Escreveu:
Eu não quero estar a entrar pelo rabbit hole, que estes assuntos cada vez vão ser mais constantes, mas não há um lado certo ou errado. Se nasceu homem e agora é mulher, fez tratamentos que, em teoria, diminuem a diferença hormonal. Agora, como é que se vai moderar quem é que está num range em que a competição não é afectada? Se nasceu mulher mas o sistema hormonal não é o standard, como é que se regula os limites do "standard"?
A resposta certa na teoria seria competirem no sexo em que nasceram, mas nem essa faz grande sentido por tudo o resto. Boa sorte a quem tem de regular isto, vai ser sempre engolido vivo seja qual for a decisão.
Abri este tópico durante a tarde e achei as opiniões demasiado extremadas, achei que ainda ia aparecer um comentário certeiro e foi mesmo. Subscrevo a 200%.
Se por um lado pendia para o argumento do Candido (fazia-me todo o sentido a vantagem que tinha), a referência ao Pogacar deixou-me a pensar. Inicialmente, achei-a idiota confesso, mas durante a tarde tenho pensado em como desmontar isto e a verdade é que acabo sempre na genética e biologia (que é a premissa do lado do Candido). Muito difícil mesmo, ainda mais como leigo. Portanto, após raciocionar, nem percebo quando pode haver opiniões tão extremadas quando claramente é um assunto que não é simples e que fica numa área cinzenta que não é inteligível pelo homem médio.
O erro mais crasso é levar esta questão para o lado social e é o que causa tanta polémica. Nunca pode ser analisada desse prisma.
Se eu quiser apontar que esta discussão morreu aqui assim que o DoubleS trouxe a verdade e que as pessoas preferem usar o diz que disse para validar as suas opiniões, dogmas, ódios e preconceitos, estou a levar a questão para o lado social? Ninguém que afirmou com toda a certeza que a atleta era intersexo quis corrigir o erro, ninguém que trouxe opiniões sobre atletas trans para um caso que não tem nada a ver deu a mão à palmatória. Então, fica difícil para mim ler que as questões não podem ser analisadas pelo lado social. Assim, nunca haveria falatório e troca de ideias sobre nada.