PCM Entrevista Xavier Cañellas: “A Gios – Kiwi Atlántico considerou que [eu] seria uma mais-valia”

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Dado que uma larga parte dos adeptos portugueses não conhecem ‘Xavi’ a fundo, deixamos que ele se apresentasse: “sou um ciclista muito combativo que se adapta muito bem a corridas em chegadas ao sprint, principalmente em pequenos grupos”, apesar disso reitera que “também consigo passar a média montanha”.

O sonho de ser ciclista vem desde cedo. Confidenciou que “quando tinha 6 anos comecei a andar de bicicleta na pista, desde então comecei a correr”. Quando era mais novo não tinha nenhuma referência, mas com o passar dos anos afirma que “comecei a gostar de corredores como Elia Viviani ou Mark Cavendish”, ciclistas com bastantes pergaminhos no mundo dos velódromos.

Xavier Cañellas com a seleção espanhola
Foto: Twitter Xavier Cañellas

Xavier fez toda a sua formação na equipa da Caja Rural e completou os seus primeiros anos como profissional na mesma estrutura. Na Caja Rural destaca a aprendizagem e evolução, “a cada ano fui aprendendo coisas novas e estou a melhorar cada vez mais”. É nessa perspetiva de melhoria e aos 24 anos de idade que abraça um novo desafio, a Gios – Kiwi Atlántico. “Fiquei sem equipa para este ano e a Gios – Kiwi Atlántico considerou que seria uma mais-valia”, conta, revelando ainda que o grande objectivo da temporada é estar a bom nível na sua corrida local, o Challenge de Mallorca, que se irá disputar a meio do mês de maio.

‘Xavi’ com as suas novas cores para 2021
Foto: Gios – Kiwi Atlántico

Para além das corridas em solo espanhol, a Gios – Kiwi Atlántico tem em Portugal e França os dois principais países de interesse no que à competição diz respeito. As estradas portuguesas não são de todo desconhecidas para o maiorquino, que correu na última edição do GP Torres Vedras – Troféu Joaquim Agostinho e não esconde o desejo de voltar a competir em Portugal. Antes de chegar a Portugal conseguiu mesmo estrear-se a vencer como profissional na edição do ano transato da Belgrade Banjaluka, prova que tem lugar na região dos Balcãs. “Foi sem dúvida o melhor momento da temporada”, assume, embora tivesse ficado um pouco desiludido pois “não me foi permitido fazer muitas mais corridas além dessa”.

Depois de ganhar a primeira etapa da Belgrade Banjaluka, Cañellas envergou a camisola amarela da competição
Foto: Twitter Caja Rural – Seguros RGA

Para além da estrada, Cañellas não abdica da pista assim tão facilmente e é atualmente uma presença regular na seleção de ‘nuestros hermanos’. A compatibilidade entre disciplinas não é um problema, pelo contrário, graças à pista consegue “ter aquela ponta de velocidade para as chegadas ao sprint, na estrada”. Foi mesmo a vida de ‘pistard’ internacional que o levou à Nova Zelândia, local onde competiu na sua primeira Taça do Mundo e que marcou profundamente o atleta espanhol. É essa competição que se afigura como o grande objetivo para 2021 na pista, onde espera “merecer a chamada do selecionador espanhol e alcançar bons resultados”. A prestação portuguesa não passa despercebida e os nomes dos gémeos Oliveira, de Iúri Leitão e de Maria Martins são já bastante reconhecidos entre os ‘pistards’. Cañellas reconhece o talento nesta geração de atletas portugueses e acredita que os seus resultados serão ainda melhores do que até aqui. Da pista Xavier espera ainda cumprir o sonho de “estar presente nos Jogos Olímpicos”. O espanhol remata a entrevista seguro das suas convicções e ideias, afirmando que “não mudaria nada, estou satisfeito com tudo o que fiz na minha carreira”.

Tiago Ferreira

A acabar a licenciatura em Engenharia de Sistemas no Instituto Superior de Engenharia do Porto, passou a fazer parte da PCM em finais de 2020. Ávido fã de qualquer tipo de desporto desde curling, passando pelos desportos motorizados, até ao ciclismo. É neste último na qual reside a sua maior paixão, uma paixão que já vem desde os ínicios do século. A paixão é tão grande que tenta acompanhar todas as provas possíveis e imaginárias. Atualmente, os seus ciclistas favoritos são Alejandro Valverde e Wout van Aert. O Tiago escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.