Shaykh Al-Osmohad Escreveu:
p3druh, desculpa lá, mas andas pouco informado pelos vistos, o que não é teu costume.
Miguel Relvas uma prioridade? De onde foste buscar isso? Simplesmente é o gajo que tem aparecido ultimamente. Na Sexta o visado foi o Passos Coelho, o ano passado foram feitos protestos similares contra Gaspar, Santos Pereira, Aguiar Branco e Crato, pelo menos. Usar as aparições públicas de um ministro para promover um protesto não é nenhuma novidade. E sem ser o cântico "demissão", e isso para mim é algo a ser entoado a qualquer membro do Governo, e uma ou outra boca ou insulto esporádica, não tiveste uma única palavra de ordem que fosse dirigida ao Relvas por ser o Relvas, e se vires os artigos noticiosos ou as reportagens, conferes isso. As palavras de ordem foram dirigidas sobretudo contra o Governo e mais concretamente contra a política educativa. Apesar de não ter assistido a todas as entrevistas feitas, tenho ideia que a maioria das mesmas reflecte exactamente isso.
A prioridade é este Governo e a política que têm conduzido Portugal a esta situação, e isso parece-me ser um dos maiores cancros da sociedade.
E não houve qualquer tentativa de justiça popular, foi um simples protesto, se quisséssemos ir à cara do Relvas, era na boa, não havia seguranças suficientes para impedir esse desfecho. Como já tenho lido por aí a falar sobre a violência, é tanga, houve um empurrãozito ou outro quando o gajo tentava bazar mas isso é porque ele tava quase encurralado, porque o próprio edifício ajuda a isso.
Agora vens-me falar sobre aparecer na tv? Claro que é importante aparecer na tv. Então tu tiveste várias manifs este Sábado, onde em Lisboa a Praça do Município foi pequena para tanta gente, onde a Avenida dos Aliados ficou cheia e também em Coimbra, Aveiro e Faro houve boas mobilizações e mesmo assim o Público nem a refere na capa no dia a seguir. Onde há 2/3 anos que andam a circular petições sobre variados assuntos, uma das que mais passam por mim é a da não-privatização da água, nos vários protestos, sempre com pessoas a andar de caneta e papel na mão a recolher, e ainda não vi até hoje um único destaque informativo sobre essa acção. Quando a comunicação social de horas de filmagens e de entrevistas sobre variadas coisas, aproveita 5m normalmente a filmar cromos e velhinhos. Quando se fala que só protestam os funcionários públicos, nunca mas nunca passou uma notícia de certamente mais de uma dezenas de empresas de call-centers que passaram os empregados a contrato efectivo após acções reinvidacativas por parte deste.
Os media são claramente uma ferramenta ao serviço de quem controla o país, mas também é um instrumento que se encontra massificado. E sempre que surgir uma oportunidade para ser o manifestante a usar os media como ferramenta, tem que se aproveitar ao máximo. E isto não significa que não se faça o resto. Aliás, o que aconteceu já é uma consequência de inúmeras horas de tempo livre gastas a tentar quebrar a apatia, e com a exposição que a acção teve, vai de certeza ajudar no trabalho futuro de reinvidicação pelos nossos direitos.
A novidade desta acção é que a última palavra foi nossa, é que ele não pôde mandar uma boquinha, ele não pôde fazer uma flash interview depois do incidente. Tivemos, num momento raro da política portuguesa, um membro do Governo a ser completamente suplantado por manifestantes. E isso chocou as pessoas, sobretudo as que acham que a democracia tem medidas certas. Algo que não foi mostrado, curiosamente, foi que assim que o Relvas entrou no edifício e foi vaiado, a maioria dos estudantes que não estavam lá pelo protesto, bateram palmas. E se eles bateram palmas, é porque certamente, não consideraram o protesto uma palhaçada, um termo que considero bastante infeliz da tua parte.
Não é uma prioridade? Esta acção de protesto está a ser colada (em vários locais públicos e nas redes sociais) à questão da formação académica dele. Ou falharam-me manifestações sempre que o Duarte Lima, Oliveira e Costa, Dias Loureiro, Belmiro de Azevedo, etc saem à rua, ou escolher esta questão como válida para este tipo de acções é estar a dar-lhe uma importância inconcebível face ao que se passa no país. Mesmo que a estratégia seja derrubar o governo, não vejo tanta vontade e força em protestar com um ministro da educação que está a destruir o ensino público em Portugal ou com um ministro da economia que está a destruir o tecido empresarial nacional em vários sectores tradicionais por não serem compatíveis com aquilo que ele considera serem sectores "chiques e vanguardistas". Viram-se para o Miguel Relvas porque é o elo mais fraco.
Lá está, outra coisa que eu não consigo perceber. Para mim, o objectivo deste tipo de acções deve ser sempre confrontar as pessoas em causa. Tiveram uma excelente oportunidade de se fazerem ouvir E obriga-lo a falar em frente a uma série de orgãos de comunicação social, em vez do mesmo monólogo de sempre do discurso político. O que é que preferiram? Impedi-lo de falar e obrigá-lo a sair de uma conferência sem qualquer tipo de importância.