Amanhã temos aquela que pode muito bem ser a etapa decisiva do Tour. Falando nos favoritos um a um, devo dizer que estou curioso em relação à táctica que os Schlecks irão apresentar. Em Luz-Ardiden pareceram-me ambos muito fortes, mas demasiado medrosos também, o que pode benificiar um ciclista que faça a corrida de uma forma calculista e tenha boa capacidade no Contra-Relógio, como é o caso do Evans, que neste momento só tem de voltar aos seus tempos áureos enquanto chupa-rodas e defender a posição.
Nota também importante para os italianos. O Basso foi talvez o ciclista que mais me impressionou na etapa de montanha anterior, mas acho que se ele quer realmente vencer o Tour, esta etapa é de longe a que mais se adequa às suas características. Não acredito que o deixem saír sozinho, portanto o apoio do Szmyd será essencial. Quanto ao Cunego, também me parece bem, mas falta-lhe algo para o considerar favorito ao pódium neste Tour.
Falando nos espanhóis, Samuel Sánchez dever-se-á apresentar competitivo e muito atacante em busca de um lugar no pódium, mas desta vez acredito que será bem vigiado, embora possa subir lugares na geral por falhanços de ciclistas que estão à sua frente. Agora a grande dúvida prende-se com o Contador. A história recente diz que quem faz o Giro e o Tour no mesmo ano aparece na prova francesa numa espiral de forma decrescente, conseguindo aguentar com os melhores os primeiros dias de montanha, mas quebrando dramaticamente nas jornadas finais, como são exemplos as prestações de Ivan Basso e Cadel Evans em 2010, a prestação de Denis Menchov em 2009 e até mesmo em 2008, ano em que, apesar do russo se ter tornado no único homem nos últimos 12 anos a fazer Top-10 no Giro e no Tour do mesmo ano teve como pior prestação da montanha(e de longe)a última jornada alpina, com chegada ao Alpe d´Huez. Portanto a estatística diz que se Contador quiser recuperar tempo, o tempo para fazê-lo está a escoar-se. Mas também temos de ter em conta a capacidade de recuperação formidável do Espanhol, que o poderá levar a superar-se nos últimos dias, e o dia de amanhã levará a uma resposta quase definitiva.
Falta ainda falar na luta pelas classificações secundárias. Na luta pela camisola verde espero que a Movistar melhore bastante tacticamente em relação ao dia de hoje, já que apesar de o plano até nem ter saído mal porque Rojas conseguiu bater Cavendish no sprint intermédio, o facto do britânico ter chegado a esse mesmo sprint demonstra inépcia táctica por parte dos seus rivais. Na montanha será uma bela luta, mas provavelmente Samuel Sánchez vai acabar por pontuar bastante forte no final e assim assumir a liderança nessa classificação, até porque não acredito que Roy tenha forças para se meter outro dia numa longa fuga. Finalmente, na camisola branca, acredito que Rigoberto Urán será o grande vencedor do dia, já que Jeanesson é conhecido por ser tudo menos um exemplo de consistência. Apesar de tudo espero que o francês me desminta, até porque estou a torcer por ele para a conquista desta classificação
