Para já, o gajo deixa de tomar a medicação e passa a acreditar que uma força irracional, a corrida, e a dança o vão ajudar a ultrapassar a doença, ainda por cima a conviver aos gritos e discussões com outra doente mental (não me lembro se lhe foi diagnosticado algum transtorno, mas lembro-me que ela tomava uma data de medicamentos), o que na realidade, para um doente mental, seria um gatilho leve para explodir emocionalmente e ficar de novo mal psicológicamente. Voltando ao que disse acima, acerca do tratamento auto-infligido: isto é altamente irrealista, porque sabe-se que um doente bipolar só consegue levar uma vida relativamente normal medicando-se diariamente.
Segundo, a personagem do Cooper é caracterizada como um tipo violento e, a não ser que seja especificado no filme que é um caso especial, o filme passa a mensagem que todos os bipolares são violentos.
Terceiro, a relação com o doutor é absurda. O gajo não passa cartão ao doutor aquando das consultas e mal o vê e socializa com ele num jogo de football, percebendo que o doutor indiano é "cá da malta", é que lhe passa a dar ouvidos? Pior ainda quando o homem é indiano ou de origens indianas - só fez tudo parecer uma paródia racista elaborada e ultimamente uma crítica a estes tipos de médicos (psicólogos, psiquiatras, etc.).
Ainda por cima, além disso, o pai dele sofre de OCD e ninguém quer saber, sobretudo quando na família já há problemas do foro psiquiátrico e sobretudo quando é o pai, que devia dar o exemplo. Não bastava isso, o Russell quer fazer passar a mensagem que o bookmaking do pai dele é um trabalho viável para um desempregado... LOL!
O personagem do Chris Tucker é outra falha do argumento. Entra em cena e sai de cena sem grandes explicações, nunca percebemos o que ele tem e porque está ali, tão pouco o que lhe acontece no fim - puff, aparece a cozinhar com a patroa.
Também curti (ironia) o facto de qualquer marmanjo entrar num concurso profissional de dança, sem quaisquer provas dadas.
Okay, ponderemos que o Russell fez isto de propósito em vez de ter sido um erro (o que eu não acredito) para agarrar o espectador. Epá, por mim, tudo bem, mas isto só me fez gostar menos da história. Se a outras pessoas a reacção foi a oposta, epá, óptimo.
Mas, se quiserem tirar a prova dos noves, levem alguém com algum tipo de doença psicológica, de preferência a bipolaridade, a ver este filme.